domingo, 10 de dezembro de 2017

Coração de pedra

"Foram as minhas próprias gotas de sangue que deram esta cor à pedra, mas ela é fria como o gelo, em breve estará em cima do meu coração e refrescará a paixão perversa que arde em labaredas dentro dele."

in Coração de Pedra by E.T.A Hoffman

Estou, em Amarante, numa casa frágil sem electricidade há umas horas. Tenho como banda sonora a tempestade e para me distrair da ideia de que o telhado seja levado pelo vento saquei um Hoffman de prateleiras vastas de livros para ler à luz de velas.
Desconfio que, por mais que me custe, vou ter que dar razão aos que me identificam com o género terror.

sábado, 9 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

domingo, 26 de novembro de 2017

Vinde! Vede! Estais todos convidados


Há pouco mais de um ano, decidi ganhar algum tempo para mim.
Depois de ter despistado o diagnóstico de uma doença degenerativa que felizmente não tenho e me ter tornado oficialmente doente de dor crónica, mudei de trabalho, ganhei folgas ao fim-de-semana e resolvi ocupar o tempo livre com algo que me desse prazer.
Assim sendo, tentei explorar esta coisa de contar causos numa perspectiva de narrativa do real que mesmo abdicando de qualquer julgamento sobre personagens ou acções me permite estimular a imaginação ao criar cenários ficcionais.
Depois de em Julho ter estreado no encerramento do Festival mimo em Amarante uma curta-metragem elaborada no âmbito de um Workshop com a realizadora Luísa Sequeira e o ilustrador Sama que me permitiu explorar a importância que a narrativa assume independentemente dos meios técnicos usados vou na próxima segunda-feira estrear uma curta-metragem realizada durante o curso de Cinemalogia 6 que frequentei.

O curso de Cinemalogia 6 foi realizado no âmbito da XXII edição do Festival Caminhos do Cinema Português, que se juntou à Universidade Aberta e à Semana Cultural da Universidade de Coimbra com o mote 'Quem somos?'. Frequentaram-no um conjunto ecléctico de formandos cujo trabalho resultou numa curta-metragem.

Somos essencialmente memória e assim sendo o cinema assume um papel importante na nossa definição, tanto pelas memórias que preserva como pelas que evoca e pelas que provoca.
Foi uma experiência interessante cuja memória irei preservar e certamente evocar frequentemente, assim como o privilégio e a oportunidade de trabalhar com excelentes profissionais que de forma generosa se deslocaram a Coimbra e aos quais agradeço destacando o Simão Cayatte a quem devo um agradecimento especial por toda a disponibilidade dispensada apesar da minha dificuldade crónica em estar contactável.


Não me perguntem de onde vêm as sinopses que por aí circulam ou porque insistem em escrever o meu nome incompleto eu, Teresa Isabel Queirós, não sou culpada de tudo.
A Costureirinha é um trabalho simples, realizado sem orçamento e em contexto de formação mas é um trabalho que tendo ocupado a minha vida num momento particularmente sensível me é muito querido e apesar de todos os problemas e defeitos que possa ter cumpre o mais importante de uma curta-metragem - sabe a pouco.
Espero que quem tenha a oportunidade de assistir fique com vontade de ver mais (dava-me um certo jeito para me livrar de mais umas páginas).

A aparente simplicidade do nome 'A Costureirinha' desmonta-se na polissemia que assume 'A Costureirinha' pode ser uma de três personagens: Ermelinda (Sandra José), mãe, viúva, fechada sobre si, com dificuldade em demonstrar afecto pela filha apesar de se matar a trabalhar por ela, Maria uma menina viva que percebe, do seu jeito infantil, a tristeza da mãe que rejeita para si e a costureirinha, lenda que inunda a bibliografia de causos nacionais e interfere de forma particular na vida de mãe e filha. Isto num cenário cujo ambiente retrata o contexto social da classe baixa, no interior do país, dos anos 50/60. 

O Festival Caminhos do Cinema Português tem a sua XXIII edição de 27 de Novembro a 03 de Dezembro. Eu, como estou nas lonas mas quero ver cinema voluntariei-me para ajudar e ver cinema de borla, vou andar por aí. Apareçam!






quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Interacção

Lara desenhava círculos, correndo com os braços abertos, atrás de uma pomba que interagia com ela. Sorria.
-Oh, Lara! - Chamou rispidamente a senhora, que se mantinha envolvida na conversa ao telemóvel, quando percebeu que a Lara já não lhe segurava a mão.
A pequenina Lara quebrou o sorriso, baixou os braços e voltou obediente à mão que a segurava.
Vi-as da esplanada já tinha bebido o café, estava queimado. A pomba manteve-se por ali interagindo com os clientes.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Doce da Teixeira

Na Páscoa, ao passar por uma daquelas doceiras de borda de estrada, pedi à minha mãe que me comprasse um Doce da Teixeira.
Estavam expostos na mesa juntamente com os Velhotes, o Pão-de-ló, as Cavacas, os Bolinhos de Amor... à sombra do enorme toldo. Foi-nos recomendado o de Amarante, autentico, fresquinho que o do Marco de Canaveses e o de Baião também são bons mas o de Amarante, o de Amarante é que era. Foi o de Amarante e era bom mas esperava mais. Esperava que aquele Doce trouxesse cheiros do passado e me despertasse memórias.
Depois da Páscoa, aproveitando as confusões editoriais que rodearam os livros da Agustina Bessa-Luís comprei alguns que ainda não tinha com a chancela da Guimarães Editores. Nunca tinha lido o 'Longos Dias têm Cem Anos', tratei de o ler.
Em Julho fui a Amarante por alturas do mimo (festival) e comprei um Doce da Teixeira só porque sim, sem expectativas, sem saber de onde vinha. Trouxe-me cheiros e memórias extraordinários que ainda hoje não consigo dizer se são meus ou da Agustina.


'Um cálido vento sopra sobre a mata que é abrigo de amores na noite da festa sacra.Muitas moças lá deixaram a virgindade, como as primícias da solidão. Era uma festa pagã, a da Senhora dos Remédios e muito célebre. Havia corridas de cavalos, e alguma amazona homada e fantástica, como o Douro teve sempre, corria no seu Isabel levantando rolos de poeira como se fosse Miguel Strogoff no caminho de Irkutsk. Maria Helena pintou uma vez Nijni-Novgorod, movida pela imaginação da grande feira Siberiana. Mas há Novgorod em todas as feiras, ou havia. Sobretudo aquela concorrência de ciganos, lavradores, mulheres garridas, tendas de mantas e roupas feitas, de pão-doce e refrescos de aguardente que já não há. Vendia-se limonada em tarros de cortiça cobertos de erva-cidreira. E o doce da Teixeira, feito com azeite, tinha um gosto antiquíssimo, de bodas de Viriato; assim como a falacha de castanha, cozida em cima de folhas de castanheiro.'



ps Quando era miúda passava uma série de desenhos animados sobre o Miguel Strogoff devo ter lanchado, algumas vezes, Doce da Teixeira a vê-la... Isto anda tudo ligado.






terça-feira, 24 de outubro de 2017

Rica em sonhos


Sonho pouco quando durmo.
Divido o táxi com os amigos, se tiver dinheiro, caso contrário enalteço as qualidades da caminhada e vou a pé. 
Vou menos a pubs para não ter que contar trocos. 
Repito vestidos.
Vivo num apartamento velho onde as torneiras pingam.
O meu telefone esperto não tem maçãs roídas.
Odeio ratos felizmente nunca me falaram, nem em sonhos.

Nunca fiz férias num hotel. 
Repito sapatos.
Não uso unhas de gel.
Não teria uma máquina xpto para fotografar as férias, se as tivesse.
Além de poucos, raros são os sonhos de que me lembro.
Gosto de imaginar que foram bons para mim, que me chamaram Rainha...

aproveito estar acordada para sonhar os sonhos que não tive ou que tive mas não me lembro.

Beijo, Té
(Pobre em ouro)


inspirado nisto. porque tenho preguiça de escrever mas ainda comento coisas, às vezes... nisto e na Floribela, claro.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Não tentem a sorte


Não se ponham com muitas coisas, nas redes sociais, acerca do aparecimento do material roubado de Tancos, que se arriscam a que apareça a Meddie Maccan só para vos fazer mudar de assunto. Dela, passam para o D Sebastião e com um bocadinho de sorte até a Nossa Senhora de Fátima cá vem fazer uma perninha.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

E eis se não quando


Com o timing perfeito para evitar a queda de outro ministro, quiçá do governo, o material roubado de Tancos aparece na Chamusca. 
Sim! Na Chamusca. Ele há coincidências... Hum...